Água: um bem de todos

Publicado em 29 - mar - 2015 Categoria: Proteção ambiental


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agua

Autor: João O. Salvador

Considerada a riqueza do planeta, a água tem o devido valor somente quando as nuvens retardam em devolvê-la ao chão e às torneiras.
Sua raridade é atrelada há uma estratégia competitiva para sua aquisição no futuro, encaixando-a no circuito econômico e de possíveis intrigas entre as nações prepotentes. Quem importa barris de petróleo, talvez o faça, mais adiante, em forma de água.
Dizem que no futuro as águas brasileiras serão internacionalizadas, justamente porque o Brasil está bem servido na questão hídrica. Possui a maior bacia hidrográfica do mundo e seu potencial de recursos hídricos corresponde a 53% da reserva da América do Sul e de quase um quinto da mundial.
Mas ela não vai acabar, pois a mesma que sobe da terra, dos rios, lagos e oceanos, pela evaporação, é a mesma que se precipita para abastecer os mananciais e os aquíferos, mantendo sua quantidade total invariável no mundo. O que ocorre é que há irregularidade em sua distribuição, em resposta a grande variabilidade climática e mudanças no ciclo hidrológico, alterando os cursos dos rios. A questão não está no âmbito da quantidade, e sim, na distribuição e qualidade, portanto. Uma distribuição desigual gera grandes disparidades sociais e geográficas.
O que existe é a escassez acentuada de água potável por descaso, desconhecimento ou por ignorância. A poluição e a contaminação ameaçam rios e oceanos. Quando pura, é sinônimo de saúde, de vida, mas em certos locais, sua fluência é comprometida por resíduos químicos e de dejetos domésticos e industriais,
A água potável é um bem finito. Se desperdiçada pode faltar para outros. Existem perdas que chegam a 50% ou mais nas grandes cidades, em razão de ligações clandestinas, ineficiência, despreparo, ou do descaso de prefeituras na manutenção da rede de abastecimento. Com o descontrole no uso doméstico, da drenagem urbana, que arrasta todo tipo residual de partículas e agregados sólidos, juntando-se ao carreamento de fertilizantes e defensivos agrícolas para os rios, as fontes de abastecimento ficam comprometidas. Toda esta carga de impurezas pode causar desequilíbrio na cadeia alimentar aquática e prejudicar a saúde humana.
Se não houver um gerenciamento adequado dos recursos hídricos, as grandes cidades terão que captar água em bacias distantes, como já acontece na Grande S. Paulo, enquanto outros municípios deverão conviver, temporariamente, com o racionamento em época de estiagem.
A agricultura, como um setor que consome muita água, precisa fazer a sua parte, ao adotar tecno¬logia adequada, passando a utilizar métodos de ir¬rigação que minimizem o desperdí¬cio. O crescimento populacional aumentará sua demanda, não só para saciar a sede, como também para produzir mais alimentos. Isso pode ser reduzido com a sua reutilização e a aplicação de um projeto ousado, moderno de construção de casas, prédios e complexos industriais, com coletores da água da chuva, para o uso geral.
É preciso soar o alarme sobre o posicionamento de renomados cientistas sobre as mudanças climáticas, resultantes das ações antrópicas. A reação deve ser sensata, de um manejo adequado das bacias e mananciais; canalizar mais recursos orçamentários e financiamentos para programas de saneamento básico e de manutenção dos sistemas de abastecimento, geridos com muita seriedade e competência. Gestão que deve envolver políticos, técnicos, ambientalistas, enfim, a população em geral, reduzindo as disparidades entre as populações.

JOÃO O. SALVADOR é biólogo do Cena
(Centro de Energia Nuclear na Agricultura) – USP (Universidade de São Paulo)
Email: salvador@cena.usp.br