A agricultura de ontem e de hoje

Publicado em 29 - mar - 2015 Categoria: Proteção ambiental


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Autor: João O. Salvador
 
EURÍPEDES MALAVOLTA (in memoriam)
ANDRÉ M. L. NEPTUNE (in memoriam)

A agricultura é a arte de perturbar os ecossistemas, em termos econômicos, sem causar danos irreversíveis. Há mais de dez mil anos o homem vem alterando os sistemas, com a domesticação de plantas e animais. Deixou de ser um mero catador de grãos ou caçador de animais silvestres, como uma forma de obter seu alimento. Substituiu cerca de 40 milhões de búfalos das pastagens norte-americana pelo gado de corte e trocou os cangurus da Austrália, pelo gado europeu, ou por ovelhas. Devastou florestas e semeou milho, arroz, trigo, e, há pouco, no Brasil, retirou as árvores tortuosas do nosso cerrado, corrigiu o solo e cultiva arroz de sequeiro e irrigado, soja, cana, café e laranja. E com certeza, continuará a fazê-lo, enquanto perdurar a tendência do crescimento populacional do Brasil e do mundo, cálculo estimado de 9 bilhões de bocas a serem alimentadas, em 2050.
Teria havido, ou havendo no processo, danos irreversíveis? Pode até ser que sim em um ou outro caso, porém é inadmissível aceitar a generalização que fazem certos ambientalistas, ecologistas ou ecologeiros.
Mas se de um lado comer é preciso, preservar também o é. Devemos nos conscientizar de que o estudo do meio em que vivemos é interdisciplinar. Envolve a integração de agrônomos, biólogos, zootecnistas, químicos, geneticistas, agricultores e consumidores.
No tocante às pragas e doenças, sua origem deu-se a partir em que o homem passou a derrubar as matas para se tornar membro de um sistema produtivo de alimentos, e, quem sabe, para conseguir sua independência econômica, através das grandes colheitas. Jamais imaginou que estava interferindo na interação entre espécies, no equilíbrio ecológico dos ecossistemas. Os insetos habitam o planeta há 400 milhões de anos, enquanto o a espécie humana passou a existir há dois milhões. Portanto, são 398 anos de diferença em evolução. Os insetos evoluíram por uma progressão orgânica, enquanto o homem sofreu modificações culturais, aprendendo, somente agora com os erros do passado.
A agricultura por si só é um gerador de pragas e de doenças e o homem, o maior disseminador, seja por curiosidade, ignorância, má-fé e demais motivos. Ele, sempre que pode, transporta em sua bagagem de viagens, mudas, sementes, borbulhas, estacas, enfim, qualquer material diferente para propagação. Esses materiais podem conter organismos indesejáveis, e uma vez introduzidos, rompem a barreira natural e efetiva, constituída por mares, desertos e montanhas. Em novo local, com condições favoráveis, sem a presença de inimigos naturais, a explosão e dispersão são inevitáveis.
O melhoramento genético de plantas, com a finalidade de aumentar a produção, resultou em maior sensibilidade ao ataque de algumas espécies. As práticas culturais e de armazenamento, quando inadequadas, também favorecem o surgimento desses agentes nocivos. De acordo com a modificação do ambiente, determinadas espécies se multiplicam, seja pelo aumento de alimento disponível ou pela interferência do clima na reprodução. Sem contar que as pragas secundárias, por sua vez, podem evoluir para formas mais bem adaptadas geneticamente, e transformarem-se em agentes de grande importância.
Os especialistas veem a grande possibilidade de países vizinhos “exportarem” potenciais invasores que, ao adentrarem nas lavouras brasileiras, a qualquer momento, poderá causar um estrago bilionário nas próximas safras, a exemplo da lagarta helicoverpa, que ataca a soja, algodão, milho, girassol e milheto e da ferrugem asiática da soja.
Há necessidade de discutir estratégias de combate ou controle dessas “pragas exóticas”, através de um plano efetivo de prevenção, porque, como dissemos, anteriormente, uma vez estabelecida, sem inimigos naturais, nem produtos registrados, seu desenvolvimento é imprevisível. É importante sua identificação pelos agricultores e especialistas, estudar sua biologia, para um controle eficaz, com produtos específicos, autorizados, mesmo que sejam importados. O que mais preocupa é o uso intensivo de produtos inadequados, o que pode levar à resistência da praga e contaminação ambiental.
Embora as inovações tecnológicas tenham feito a grande diferença na agricultura brasileira, depois da revolução verde dos anos 60 e 70, idealizada por Norman Borlaug, hoje batermos recorde de produção de grão, mas ainda há muito a pesquisar.

JOÃO SALVADOR é biólogo da USP
E-mail: salvador@cena.usp.br
EURÍPEDES MALAVOLTA-Professor catedrático, ex-diretor da Esalq
ANDRÉ M. L. NEPTUNE- professor catedrático da Esalq/Cena/USP